Adesão ao Programa Mais Médico e a melhoria nos serviços de saúde no município de Goytacazes: a importância da interação médicos cubanos e brasileiros para a saúde do município

“O risco dos extremos: uma análise da implantação do Programa Mais Médicos em um contexto de volatilidade orçamentária”. Annabelle de Fátima Modesto Vargas, Mauro Macedo Campos, Diogo de Souza Vargas. Em: Revista Eletrônica Gestão & Sociedade, v.10, n.26, p. 1313-1326 Maio/Agosto – 2016

O artigo em questão mostra como em um contexto de crise orçamentária a adesão ao Programa Mais Médicos “trouxe avanços para o município sob vários aspectos”, ressaltando o valor pedagógico da chegada de 11 médicos cubanos. Ressalta a adesão ao PMAQ, que busca incentivar os gestores e equipes à melhoria da qualidade dos serviços de saúde, o que permitiu um incremento das verbas federais destinadas a custear as ações básicas de saúde do município e fez “com que as equipes repensassem o próprio trabalho tendendo aprimorar e avaliar o atendimento que está sendo prestado à população” (1322). Também se construiu ou estão em construções novas instalações e possibilitou maior acesso da população aos serviços de saúde e procura torno do aumento do acesso, “maior procura pelos serviços não apenas médicos, como também de outras categorias, além da aproximação ao território” (1324).

O artigo valora o aspecto pedagógico da interação médicos cubanos e brasileiros, acostumados com um tipo de medicina muito mais preventiva e atenção primária e citam:

“De acordo com Hübner e Franco (2007), o modelo de medicina de família em Cuba é centrado na atenção primária. Assim, os serviços de saúde possuem caráter integral e buscam a qualificação, promovendo o cuidado preventivo, a atenção especializada e o atendimento humanizado como premissa fundamental”. (1323)

E acrescentam:

“Com a implantação da ESF no município de Campos dos Goytacazes, graças à adesão ao PMM, muitos serviços de saúde passaram a ser também oferecidos nos domicílios e em espaços coletivos, tais como escolas, igrejas e associações de bairro, ampliando a cobertura e o acesso aos serviços de saúde. As equipes realizam atividades com foco na prevenção de doenças, como palestras, campanhas educativas, dentre outros, e também prestam atendimento eficaz a quem necessita recuperar sua saúde, com consultas médicas, de enfermagem e odontológicas”. (1324)

Demonstram:

….”a partir de 2014, houve um grande aumento das atividades “visita médico na ESF”. No período de 2009 a 2013 este procedimento não fora realizado. Já nos anos seguintes tivemos 533 ações em 2014 e 1.661 em 2015, valor correspondente a três vezes o do ano anterior. Estas visitas são realizadas pela equipe de Saúde da Família, que conta atualmente com 8.324 famílias acompanhadas, correspondendo ao maior valor registrado após 2008. Em outras palavras, o PMM vem fazendo bem para a saúde do município, humanizando o atendimento e incutindo uma nova mentalidade na atenção básica”. (1324)

Raquel Abrantes Pêgo é doutora em Ciências Sociais, colaboradora da OPAS-Brasil, professora visitante no Departamento de Saúde Coletiva da Universidade de Brasília (UNB) e colaboradora da Rede de Pesquisa Análise de Políticas de Saúde no Brasil*Artigo comentado por Raquel Pêgo, doutora em Ciências Sociais, colaboradora da OPAS-Brasil, professora visitante no Departamento de Saúde Coletiva da Universidade de Brasília (UNB) e colaboradora da Rede de Pesquisa Análise de Políticas de Saúde no Brasil. Rabra.pego@gmail.com

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