Estudo de Caso “Implementação do Programa Mais Médicos em Curitiba”

Estudo de Caso Curitiba

Cerca de dois anos após o início da sua implementação em Curitiba, o Programa Mais Médicos conta com a satisfação dos usuários, a aprovação dos gestores municipais e gerentes das Unidades de Saúde e a aceitação dos outros membros das equipes de saúde que trabalham na Atenção Primária (ou Atenção Básica). A conclusão está no Estudo de Caso “Implementação do Programa Mais Médicos em Curitiba”, o primeiro volume de uma série produzida pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

Segundo o coordenador da Unidade Técnica Mais Médicos da OPAS, Renato Tasca, o objetivo é que as publicações sejam uma fonte de conhecimentos para ajudar os gestores a fortalecer os sistemas de saúde da família no Brasil e em outros países das Américas. “Muitas nações do continente vivem a mesma situação de desigualdade e de impossibilidade do Estado de proporcionar atenção à saúde digna para populações de difícil acesso”, analisa.

O trabalho foi realizado a partir de entrevistas com informantes-chave, dados de fontes secundárias e informações coletadas em visitas de observação a três unidades de saúde de Curitiba onde o Programa Mais Médicos opera. As atividades foram coordenadas por Julio Suarez consultor da Representação da OPAS no Brasil, em conjunto com a equipe da Unidade Técnica Mais Médicos da organização e da Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba. “A experiência desse livro mostra que o o programa pode fazer a diferença também em contextos socioeconômicos como o de Curitiba, notadamente mais rico e desenvolvido, quando comparado com o resto do país”. A publicação foi lançada em novembro (2015), em Curitiba (PR).

Dados do Ministério da Saúde brasileiro, de julho deste ano, apontam que o Mais Médicos conta com a colaboração de mais de 18 mil profissionais, beneficiando 63 milhões de pessoas. Para 700 municípios, é a primeira vez que um médico reside no mesmo território onde trabalha. “Sem dúvida, esse resultado representa um extraordinário avanço em termos de cidadania e de garantia de direito à saúde. É um grande passo para o Sistema Único de Saúde (SUS)”, avalia.

Carência de profissionais

O estudo “Demografia Médica no Brasil, 2013” reúne várias fontes de dados e chega aos seguintes valores da proporção de médicos por 1.000 habitantes no município de Curitiba: 5,71 de acordo com registros do Conselho Federal de Medicina (nono lugar entre as 27 capitais); 3,24 de acordo com o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (sétimo lugar); 3,01 conforme registro de médicos contratados (RAIS) do Ministério do Trabalho e Emprego (décimo lugar); e 7,78 de acordo com o registro de médicos ocupados utilizado pela pesquisa de Assistência Médico-Sanitária (MAS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (sexto lugar).

“Independentemente dos diferentes valores, em 2013, Curitiba tinha uma densidade de médicos por habitantes acima da média nacional e também acima da maioria das capitais nacionais. No entanto, a Secretaria Municipal de Saúde identificou lacunas na cobertura de grupos populacionais que vivem em áreas remotas e em condições de vida precárias, devido à falta de médicos dispostos a preencher as vagas disponíveis ou à alta rotatividade desses profissionais nas unidades de saúde que atendem essas populações”, aponta Renato Tasca.

Assim, o programa também permitiu à Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba fixar médicos em cargos com alta rotatividade, com profissionais que possuem formação e experiência em saúde da família.

Acesse o Estudo de Caso Implementação do Programa Mais Médicos em Curitiba.

Texto/Foto – Opas Brasil