O que atrai os estudantes para trabalhar como médicos na atenção primária à saúde?

O artigo selecionado busca aferir a probabilidade de deslocamento de médicos recém formados para áreas com escassez mediante a aplicação de um experimento de preferência declarada (DCE – discrete choice experiment) realizado em 2012 com 277 estudantes do último ano dos cursos de medicina do Estado de Minas Gerais, Brasil.

Estudos desta natureza são muito importantes para o gestor local como também para os que respondem pela política de pessoal a nível federal e estadual: ao permitir analisar as chances e as probabilidades em um futuro próximo atrair médicos e contar com informação que os permita atuar para criar condições que melhorem os cenários locais tornando mais atrativos para os médicos. Com os resultados desta pesquisa o gestor conta com informação valiosa para garantir políticas de atração dos médicos.

Entre os resultados destaca que o atributo do emprego que mais impactou a escolha dos respondentes foi o de localização do trabalho, seguido por condições de trabalho, remuneração, acesso à residência médica, tipo de vínculo e carga de trabalho.

O estudo também informa ao gestor onde encontrar o médico para seu município e o perfil do mesmo uma vez que “constatou que os entrevistados de faculdades privadas, com maior renda familiar e do sexo feminino, em geral, têm maior resistência para deslocar-se para as regiões urbanas inseguras e áreas remotas do interior”.

A dica fornecida pelo estudo sobre o cenário mais propício para garantir médicos é: “combinar salários de valores intermediários, boas condições de trabalho e obtenção de 10 a 20 pontos adicionais nos exames de residência médica”.

Acessar o artigo na íntegra – Preferências para o trabalho na atenção primária por estudantes de medicina em Minas Gerais, Brasil: evidências de um experimento de preferência declarada / Girardi, Sabado Nicolau; Carvalho, Cristiana Leite; Maas, Lucas Wan Der; Araujo, Jackson Freire; Massote, Alice Werneck; Stralen, Ana Cristina de Sousa van; Souza, Osmar Ambrósio de. Cad. Saúde Pública (Online); 33(8)Aug. 2017.

Artigo selecionado pela colunista da Plataforma de Conhecimentos, Dra. Raquel Abrantes Pêgo

Consultora Raquel Abrantes Pego

Raquel Abrantes Pêgo é doutora em Ciências Sociais, colaboradora da OPAS-Brasil, professora visitante no Departamento de Saúde Coletiva da Universidade de Brasília (UNB) e colaboradora da Rede de Pesquisa Análise de Políticas de Saúde no Brasil

 

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