PMM e formação de RH em Saúde: seleção de artigos registra avanços e limitações

O eixo da Formação dos Recursos Humanos em Saúde do Programa Mais Médicos (PMM) visa dar uma resposta estrutural ao problema da falta de médicos e da má distribuição desses profissionais, concentrar esforços do governo federal para criar novas universidades descentralizadas e reformar os currículos da graduação para aproximá-los das necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS), porém objetivos que são lentos e conflitivos. A resistência ao fortalecimento da residência em Medicina de Família e Comunidade é um exemplo que dificulta os avanços esperados com relação a reforma curricular, estratégia fundamental para a consolidação de um SUS universal e integral.

Nesta seleção, o gestor vai encontrar informação e conhecimento sobre as especializações médicas, especialmente, aquelas realizadas à distância, suas metodologias e seus efeitos sobre o conhecimento adquirido pelos médicos estrangeiros com relação ao SUS, aos processos clínicos e também com relação ao ensino do português; questões muito polemizadas na grande mídia e no discurso da corporação médica. Pela análise realizada, infere-se que é uma experiência que pode ser replicada para médicos brasileiros e outros trabalhadores da saúde com seus ajustes pertinentes. O mesmo pode-se observar com relação a supervisão do PMM, que foi uma estratégia pensada pelos formuladores do Programa, para garantir uma boa clínica e também potencializar a troca de experiência envolvendo as Faculdades de Medicina.

Para efeito desta revisão e considerando que diversos aspectos do formação dos recursos humanos do PMM interferem na formação dos recursos humanos em Saúde, essa seleção não se restringe ao eixo estrutural dirigido especificamente aos investimentos na formação do médico para Atenção Básica. Foram incluídos artigos sobre o módulo de acolhimento, de especialização, sobre a supervisão e, para finalizar, análises de natureza conceitual.

Artigos referentes ao Módulo Acolhimento e Especialização

1.    Apontamentos sobre o Módulo de Acolhimento e Avaliação do Programa Mais Médicos”, Faria, Mateus Aparecido de; Paula, Douglas Marcos Pereira de; Rocha, Cristianne Maria Famer.Rev. bras. educ. méd; 40(3): 332-336, jul.-set. 2016

O artigo em questão propõe “apresentar e discutir aspectos relativos aos conteúdos e práticas pedagógicas utilizadas em sala de aula, para, em sentido amplo, fomentar as discussões acerca da formação médica brasileira, seja com profissionais brasileiros ou não. Ao fim do processo de formação, percebeu-se um descompasso entre as ações pedagógicas realizadas nesse módulo e o que é preconizado pelas políticas públicas brasileiras no campo da formação profissional em saúde”.

2.     “Reflexões dos médicos sobre o processo pessoal de aprendizagem e os significados da especialização à distância em saúde da família” Thumé, Elaine; Fassa, Maria Elizabeth Gastal; Cubas, Marcia Regina; Soares, Mariangela Uhlmann; Wachs, Louriele Soares; Fassa, Anaclaudia Gastal; Tomasi, Elaine; Facchini, Luiz Augusto. Ciênc. saúde coletiva; 21(9): 2807-2814, Set. 2016. graf

O artigo em questão permite ter uma visão da importância do curso de Especialização em Saúde da Família para a prática profissional e os aprendizados mais relevantes adquiridos pelos participantes. A fonte de informação foram 101 relatos de participantes de sete estados das regiões Norte, Nordeste e Sul registrados no item “Reflexão crítica sobre seu processo pessoal de aprendizagem” dos trabalhos de conclusão do curso de Especialização da Universidade Federal de Pelotas, entre junho a dezembro de 2015. Foi uma seleção aleatória de um total de 1.011 trabalhos. O artigo descreve o curso de Especialização, sua metodologia (TCC) como também apresenta uma apreciação dos participantes sobre o mesmo. Os participantes reconhecem que “as barreiras iniciais foram vencidas com o apoio dos orientadores e integração da equipe, com destaque às ferramentas de ensino para o aprimoramento da prática clínica e organização estratégica do trabalho, além de maior compreensão sobre o sistema de saúde público. O reforço no aprendizado da língua portuguesa e a troca de experiência nos fóruns foram considerados aspectos positivos valiosos. Apesar da dificuldade no acesso à Internet em alguns municípios, foi reafirmado o papel central da educação permanente e a viabilidade da metodologia da problematização, mesmo à distância”.

 Artigos sobre Supervisão ao trabalho do médico

1.    Reflexões sobre a prática de supervisão no Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (PROVAB) e no Programa Mais Médicos” Castro, Thiago Figueiredo. Campinas; s.n; 2015.

Trata-se de uma reflexão de um sanitarista com formação em saúde coletiva e docente de Medicina sobre o trabalho de supervisão, suas potencialidades e limites como ferramentas pedagógicas. Neste trabalho o leitor vai encontrar um questionamento em torno ao trabalho do supervisor e uma leitura da mesma mais próxima a um trabalho de apoio. O leitor vai encontrar uma descrição dos dois programas em questão, da experiência de supervisão propriamente dita exercida em seis municípios como também discute suas categorias de aproximação da realidade estudada e faz sugestões pedagógicas para finalizar.

Artigos conceituais sobre ensino e formação

É importante observar que um pode encontrar na plataforma artigos de cunho histórico analítico sobre os impasses político-ideológico da reforma curricular e que discutem a importância do eixo estrutural para o SUS, inclusive foi considerada como uma janela de oportunidade, uma estratégia que ajuda a oxigenar e renovar as escolas médicas. Alguns destes artigos são reflexivos e conceituais.

Vale citar os seguintes artigos, monografias e informes de pesquisa:

·      Regulação da formação de especialistas: interrelações com o Programa Mais Médicos”, Alessio, Maria Martins; Sousa, Maria Fátima de. Physis (Rio J.); 26(2): 633-667, abr.-jun. 2016. tab, graf

·      Desenvolvimento docente e capacitação gerencial em escolas médicas brasileiras”. Silva, aFabiana A; Costa, Nilce Maria da S. C; Lampert, Jadete B; Alves, Rosana. Porto Alegre; Universidade Federal do Rio Grande do Sul; 2016.

·      Novas escolas médicas e a regionalização”, Mello, Guilherme Arantes; Demarzo, Marcelo <arcos Piva. [São Paulo]; s.n; 2015. 10 p.

·      Ensino médico brasileiro: dialogando com o campo da saúde”, Bizelli, Sabrina Sinabucro Kanesiro; Bizelli, José Luís. s.l; s.n; out. 2016.

Raquel Abrantes Pêgo é doutora em Ciências Sociais, colaboradora da OPAS-Brasil, professora visitante no Departamento de Saúde Coletiva da Universidade de Brasília (UNB) e colaboradora da Rede de Pesquisa Análise de Políticas de Saúde no Brasil

Raquel Abrantes Pêgo é doutora em Ciências Sociais, colaboradora da OPAS-Brasil, professora visitante no Departamento de Saúde Coletiva da Universidade de Brasília (UNB) e colaboradora da Rede de Pesquisa Análise de Políticas de Saúde no Brasil

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