PMM e a formação médica do País: mais experiência no campo da prática médica no processo de formação

Até o momento tivemos a oportunidade de verificar a execução de dois objetivos dos oito propostos pelo Programa Mais Médicos (PMM), ambos diretamente vinculados ao eixo emergencial, que se referem à diminuição da carência de médicos e ao fortalecimento da atenção primária. Agora estamos verificando o terceiro ponto, que diz respeito à formação e ao aumento de experiência durante a formação, para que o SUS possa contar com profissionais preparados, motivados e com formação específica para atuação na Atenção Básica. Recorreremos ao mesmo procedimento: o acervo de artigos da Plataforma de Conhecimentos do PMM resultantes de pesquisas será o meio a partir do qual vamos buscar verificar se este objetivo está sendo cumprido ou não, se já observa resultados concretos, as dificuldades ou facilidades para cumprir e perspectivas futuras.

Vamos iniciar este balanço apresentando os dados de uma pesquisa realizada na Faculdade privada de São Leopoldo Mandic, em Campinas (SP) (Medicina e Odontologia) para conhecer o que sabiam os professores e alunos da área de saúde sobre o Programa Mais Médicos. Foi aplicado um questionário a 106 alunos e 53 professores. Citaremos alguns dos resultados do estudo: “A taxa de acerto das 25 questões sobre os objetivos e propostas de ação do PMM variou de 38,4% a 50,6%. A maioria dos docentes e alunos de Medicina referiu conhecer o PMM e reconhecia como proposta do programa diminuir a carência de médicos e melhorar a atuação nas políticas públicas de saúde. A proposta de aprimoramento da formação médica, oferta de cursos de Medicina e de vagas para residência médica, entretanto, era desconhecida por mais de 60% dos entrevistados”. E uma das conclusões que chega o estudo é que “alunos e professores de instituições da área da saúde, embora sendo atores importantes na estratégia de atingir os objetivos propostos, conhecem pouco o PMM, particularmente nas ações relacionadas ao currículo das escolas e à residência médica. Estimular debates sobre o programa em escolas médicas pode modificar essa situação e favorecer o seu desfecho. (Estudantes e Professores da Área da Saúde Conhecem o Programa Mais Médicos? Villa Real, Gustavo Gabriel de O; Succi, Guilherme de Menezes; Montalli, Victor Angelo Martins; Succi, Regina Célia de Menezes. Rev. bras. educ. méd; 41(1): 110-116, jan.-mar. 2017) colocar link.

Também identificamos um estudo comparativo que discute a relação entre as competências descritas pelos currículos de formação de médicos cubanos e brasileiros e as de fato mobilizadas pelos mesmos durante a execução de seu trabalho dentro do Programa Mais Médicos em Minas Gerais. Foi observado “que apesar de existirem vários pontos de convergência entre os dois currículos, ainda verificam-se atuações muito distintas na prática profissional, resultado este que abre a possibilidade de discussão sobre possíveis ajustes nas matrizes curriculares e/ou programas de educação continuada, ou ainda na prática docente, para que de fato elas atendam as competências estruturadas e descritas como ideais ao exercício da profissão”.

O estudo ressalta que a diferença reside na “forma como Cuba conseguiu imprimir todas as competências desenhadas no currículo no egresso de medicina. O Brasil ainda caminha neste sentido. Muito desta forte identificação entre o currículo e a mobilização das competências médicas cubanas pode dever-se ao fato da construção histórica e conjunta entre o currículo médico e o Sistema de Saúde Cubano, onde as evoluções caminharam conjuntamente, não abrindo espaço para as disparidades conceituais. (Competências relacionadas ao perfil de formação de profissionais médicos: uma análise do Programa Mais Médicos em Minas Gerais, Nascimento, Juliana Goulart Soares do. Revista Eletrônica Gestão & Sociedade; 11(29)maio-ago. 2017.)

Outro estudo comparou Brasil com Espanha no que diz respeito as “fortalezas e fragilidades dos diferentes cenários, no âmbito dos sistemas de saúde, para a formação médica de graduação, comprometida com o desenvolvimento da APS. Segundo o estudo, a formação médica orientada para a atenção primária na Espanha baseou-se no Plano de estudos de 1999 e de 2015 de duas faculdades e, no Brasil, apoiou-se nas diretrizes curriculares de 2001 e 2014. As reformulações dos dois sistemas de saúde, promovidas por mudanças na política de financiamento e garantia do direito à saúde, têm consequências de curto e médio prazo no mercado de trabalho e de formação de profissionais da saúde. Estudos futuros serão necessários para avaliara eficácia e a efetividade das mudanças dos sistemas de saúde sobre a formação médica voltada para o desenvolvimento da APS. (Lições aprendidas na comparação dos sistemas de saúde brasileiro e espanhol / Lessons learned from the comparison of brazilian and spanish health systems) Campos, João José Batista de; Forster, Aldaísa Cassanho; Freire Filho, José Rodrigues.

Artigo escrito pela colunista da Plataforma de Conhecimentos, Dra. Raquel Abrantes Pêgo

Consultora Raquel Abrantes Pego

Raquel Abrantes Pêgo é doutora em Ciências Sociais, colaboradora da OPAS-Brasil, professora visitante no Departamento de Saúde Coletiva da Universidade de Brasília (UNB) e colaboradora da Rede de Pesquisa Análise de Políticas de Saúde no Brasil

 

 

 

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