Supervisão e tutoria do Programa Mais Médicos: uma estratégia que combina formação coletiva e apoio à gestão municipal para uma atenção primária integradora

Artigo comentado – O supervisor e as estratégias educacionais dos encontros locorregionais no Programa Mais Médicos do Brasil: reflexões acerca de concepções e práticas http://pesquisa.bvsalud.org/pmm/resource/pt/sus-30926

Engstrom, Elyne Montenegro.

Brasília; s.n; 2016. 12 p. (Revista Tempus – Actas de Saúde Coletiva, 10, 1).

O Programa Mais Médicos para o Brasil (PMMB) constitui em uma política com muitas arestas e possibilidades. Como qualquer política pública que concretiza no âmbito local, o papel dos gestores e de outros atores envolvidos é fundamental para seu êxito. O artigo em questão é uma comprovação desta afirmação ao apresentar à potencialidade da proposta de supervisão e tutoria quando esta é conduzida a partir de uma aliança com a gestão municipal, norteada da construção de uma atenção primária integrativa, base do modelo de atenção.

O artigo em referência está estruturado a partir da experiência de supervisão presente no PMMB ocorrida no município de Niterói, pioneiro no Programa Médico de Família e Comunidade que recebeu seu primeiro médico do PMMB em 2013. Chama atenção a composição dos médicos do município: “até setembro de 2015, eram 16 novos médicos que atuavam no PMM, sendo dois brasileiros formados no Brasil; três brasileiros formados no exterior; nove médicos cubanos; e dois médicos estrangeiros formados no exterior, contingente que representa 25% dos médicos da atenção básica do município. Estes profissionais estão alocados em lugares de difícil acesso e/ou áreas de grande risco social” (pag. 245).

O artigo descreve a estratégia que foi conformada de supervisão, aponta os participantes desta experiência, alcances e desafios percebidos. Ressalta, descreve e discute a importância das metodologias ativas de ensino aprendizagem para adultos e, neste marco, destaca a opção de integrar o processo educativo com a gestão municipal, tanto a “abordagem clínica (em seus aspectos da promoção da saúde, prevenção e atenção), com a da saúde coletiva, de gestão (as particularidades dos territórios, o funcionamento da Rede, a vigilância em saúde)” (pag. 247).

Uma as potencialidade percebida e ressaltada no artigo “foi o fato de que, através da metodologia de ensino aprendizagem adotada, conseguimos integrar médicos do PMM, apoiadores médicos e de outras categorias profissionais do município, tutor e gestores, em um movimento que enfrentou nós críticos da rede e do modelo de atenção como um desafio de todos, gerando um sentido comum para o trabalho em saúde. Pensamos alternativas factíveis, sem secundarizar os eventuais embates, atravessados que são por escolhas políticas e gerenciais” (pag.249).

A experiência mostra a discussão de problemas cotidianos do processo de trabalho, abordagem de temas de situação-problema em saúde, visitas aos centros de trabalho, os diversos olhares dos atores envolvidos. Todos esses elementos que confluem para a construção em rede e espações de integração.

O relato porém reconhece que este processo é ainda embrionário: estão entrando no terceiro ano do PMMB. Tem muito que avançar para a integração da clínica, a incorporação “dos outros médicos da rede básica e equipe multiprofissional, assim como a articulação com os conteúdos do curso de especialização que os médicos do PMM realizam” (pag.24 9-250).

Raquel Abrantes Pêgo é doutora em Ciências Sociais, colaboradora da OPAS-Brasil, professora visitante no Departamento de Saúde Coletiva da Universidade de Brasília (UNB) e colaboradora da Rede de Pesquisa Análise de Políticas de Saúde no Brasil*Artigo comentado por Raquel Pêgo, doutora em Ciências Sociais, colaboradora da OPAS-Brasil, professora visitante no Departamento de Saúde Coletiva da Universidade de Brasília (UNB) e colaboradora da Rede de Pesquisa Análise de Políticas de Saúde no Brasil. Rabra.pego@gmail.com

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